quinta-feira, 19 de abril de 2018

PF DEIXA BOFF NA PORTA EM MAIS UM ABUSO CONTRA LULA

A Polícia Federal impediu que o teólogo e escritor Leonardo Boff e o vencedor do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel visitassem o e ex-presidente Lula em Curitiba, onde é mantido como preso político; "Lula está recluso. Recluso injustamente, pois não se trata de uma condenação judicial, se trata de uma condenação política, rejeitada pelos maiores juristas nacionais e internacionais", disse Boff; Perez Esquivel também criticou a prisão de Lula; “Queremos Lula livre para que ele siga caminhando com seu povo, pois é uma injustiça o que estão fazendo"

19 DE ABRIL DE 2018 

Paraná 247 - A Polícia Federal impediu que o teólogo e escritor Leonardo Boff e o vencedor do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel visitassem o e ex-presidente Lula em Curitiba, onde é mantido como preso político.

Boff criticou a prisão do ex-presidente Lula; "Lula está recluso. Recluso injustamente, pois não se trata de uma condenação judicial, se trata de uma condenação política, rejeitada pelos maiores juristas nacionais e internacionais", disse ele (leia mais).

O jornalista Mauro Lopes, colunista do 247, comentou a cena de Leonardo Boff sentado na entrada da PF. "É uma cena com um acento de tristeza, mas que ensina amizade, dignidade, vida de compromisso. Dois homens já velhos mostram-nos pelo exemplo que o máximo de divino é o máximo de humano", disse ele. 

Até o início da tarde, o Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel ainda aguardava a liberação para conseguir visitar o ex-presidente Lula, na sede da Polícia Federal, em Curitiba. “Até o momento, as portas estão fechadas, mas temos de abri-las”, disse o argentino, ao lado do teólogo Leonardo Boff, que também está tentando ter acesso a Lula. Esquivel se reuniu com o superintendente da PF, mas ainda não teve êxito em seu objetivo.

O argentino disse que pode esperar algumas horas, pois só vai voltar para seu país nesta sexta-feira (20). “Vim transmitir minha solidariedade ao povo brasileiro e a Lula, junto com meu companheiro Boff. Queremos Lula livre para que ele siga caminhando com seu povo, pois é uma injustiça o que estão fazendo com ele e é importante que o povo fique unido. Para tirar Lula da cadeia é fundamental a unidade do povo e a solidariedade internacional”, afirmou.



Brasil 247

ESPECIALISTA AMERICANO DENUNCIA GOLPE DAS ELITES CONTRA DEMOCRACIA BRASILEIRA

O codiretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política, em Washington, Mark Weisbrot, diz considerar uma "surpreendente falta de atenção da mídia — tanto nacional quanto internacional — às evidências com as quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado em julho de 2017 e preso no último dia 7 de abril"; "Com controle suficiente sobre o Judiciário e a mídia, a elite tradicional do Brasil acredita que possa deixar de lado o Estado de Direito e decidir quem pode concorrer à Presidência ou permanecer no cargo depois de eleitos. Nos próximos meses, o mundo vai ver se eles realmente possuem esse poder irrestrito", ressalta

19 DE ABRIL DE 2018 

247 - O codiretor do Centro de Pesquisa Econômica e Política, em Washington, Mark Weisbrot, diz considerar uma "surpreendente falta de atenção da mídia — tanto nacional quanto internacional — às evidências com as quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado em julho de 2017 e preso no último dia 7 de abril", disse em um artigo publicado nesta quinta-feira (19). "Com controle suficiente sobre o Judiciário e a mídia, a elite tradicional do Brasil acredita que possa deixar de lado o Estado de Direito e decidir quem pode concorrer à Presidência ou permanecer no cargo depois de eleitos. Nos próximos meses, o mundo vai ver se eles realmente possuem esse poder irrestrito", completa.

Veja aqui ou abaixo a íntegra do artigo. 

A evidência importa no caso de Lula?

Há uma surpreendente falta de atenção da mídia —tanto nacional quanto internacional— às evidências com as quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado em julho de 2017 e preso no último dia 7 de abril.

Isso é estranho, porque Sergio Moro, o juiz que investigou e processou o caso, demonstrou repetidamente sua animosidade contra Lula, de formas que abusam de sua autoridade judicial.

Por exemplo, ele vazou para a mídia telefonemas interceptados ilegalmente entre Lula e Dilma, sua família e seus advogados. Dados a intensa politização do caso e seu enorme impacto político —impedindo que o provável vencedor das próximas eleições presidenciais de outubro concorra à Presidência—, as pessoas não deveriam ser capazes de ver as bases para a condenação de Lula?

Segundo Moro, Lula é culpado de corrupção e lavagem de dinheiro em conexão com um apartamento, o qual foi supostamente "dado" a ele pela construtora OAS. (Ainda que corrupção e lavagem de dinheiro soem como atos separados, são, na realidade, apenas duas acusações para o mesmo suposto ato de aceitar esse apartamento como suborno).

Lula nunca recebeu o título do apartamento, nem o usou, e só o visitou para olhá-lo uma vez. O juiz Moro, portanto, teve que passar por muitas acrobacias legais e probatórias para argumentar que seria "dele".

A maioria das evidências apresentadas por Moro mostra que a OAS tinha o interesse de dar esse apartamento a Lula, com reformas, em troca de um apartamento muito menor para o qual Lula e sua esposa já haviam feito pagamentos. Mas o juiz Moro não apresenta provas materiais de que Lula tenha aceitado tal acordo. A "prova" em si vem do testemunho do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, que foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro nas investigações da Lava Jato.

Segundo relatos desta Folha, Pinheiro teve seu acordo de delação premiada suspenso quando seu testemunho inicial não implicou Lula; a negociação judicial só foi restaurada quando ele o fez. Sua sentença foi subsequentemente reduzida em dois terços, para ser cumprida em regime aberto.

Se isso não bastasse para levar o testemunho de Pinheiro menos a sério do que o de outras testemunhas conflitantes, há também o problema adicional de que, como réu no caso, Pinheiro é autorizado pela lei brasileira a depor no banco de testemunhas sem penalidade —ele não é juramentado.

Nos Estados Unidos, o ex-presidente Barack Obama começou a fazer discursos por US$ 400 mil por palestra para grandes instituições financeiras dos EUA, menos de um ano depois de deixar o cargo. No Brasil, assim como nos EUA, tais presentes para um ex-presidente não são ilegais, então o juiz Moro também teve que provar que Lula concedeu algum favor à OAS enquanto presidente, pelo qual foi "recompensado" (com um apartamento que nunca recebeu ou usufruiu) depois de deixar a Presidência.

As coisas ficam ainda mais obscuras quando seguimos Moro por esse caminho. O breve resumo de seu argumento é que os fundos que supostamente pagariam pela diferença nos preços dos apartamentos, bem como as reformas, supostamente vieram de suborno na Petrobras.

As alegações para esta parte do argumento de Moro também vêm de delações premiadas. E ainda nenhuma prova foi oferecida que comprove um ato específico de corrupção por parte de Lula; só que, como presidente, ele nomeou funcionários que mais tarde se envolveram em suborno na Petrobras.

Pode um ex-presidente —ou, de fato, qualquer pessoa— ser sentenciado a 12 anos de prisão com tal escassez de evidências? No Brasil, aparentemente sim, da mesma forma como Dilma Rousseff foi cassada e afastada da Presidência sem nem sequer ser acusada de um crime.

Com controle suficiente sobre o Judiciário e a mídia, a elite tradicional do Brasil acredita que possa deixar de lado o Estado de Direito e decidir quem pode concorrer à Presidência ou permanecer no cargo depois de eleitos. Nos próximos meses, o mundo vai ver se eles realmente possuem esse poder irrestrito.



Brasil 247

Seu Jornal - 18/04/2018 - TVT





Brasil 247   -   TVT

TRF-4 decide futuro de Zé Dirceu nesta quinta-feira


Por Nocaute
-19 de Abril de 2018


O TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) julga nesta quinta-feira (19) os embargos infringentes interpostos pela defesa do ex-ministro José Dirceu, último recurso possível antes da condenação em segunda instância.

Dirceu teve a condenação confirmada pelo tribunal em setembro do ano passado, quando sua pena foi elevada para 30 anos e nove meses de prisão pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Os embargos infringentes são interpostos quando há alguma divergência entre os juízes, buscando a manutenção da pena mais benéfica para o réu.

O juiz Leandro Paulsen definiu uma pena de 27 anos e quatro meses para Dirceu, enquanto o juiz João Pedro Gebran mesurou a sentença em 41 anos e quatro meses. No acórdão, ficou definida a pena de 30 anos e nove meses.

Com o fim do julgamento e a publicação do novo acórdão, o juiz Sérgio Moro pode pedir a prisão do ex-ministro a qualquer momento.

Com Folha de São Paulo


Nocaute

Como o Rio Grande do Sul se tornou uma trincheira do atraso no Brasil. Por Marco Aurélio Weissheimer


- 18 de abril de 201

POR MARCO AURÉLIO WEISSHEIMER

Ana Amélia Lemos, Aécio Neves e José Ivo Sartori. (Foto: Divulgação/Igo Estrela)

O Rio Grande do Sul não cansa de passar vergonha na cena nacional. O mais recente capítulo desta saga vexaminosa foi protagonizada pela senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS). A ex-colunista política e ex-chefe da sucursal da RBS em Brasília ficou incomodada com uma entrevista que a presidenta nacional do PT, a senadora Gleise Hoffmann (PT-PR), concedeu à rede Al Jazeera, onde, entre outras coisas, definiu a condição de Lula como a de um preso político, trancafiado na carceragem da Polícia (política) Federal, em Curitiba. “Que essa exortação não tenha sido para convocar o Exército Islâmico a vir ao Brasil proteger o PT!” – disse Ana Amélia Lemos em sua conta no Twitter. O imaginário da senadora não hesitou em associar a Al Jazeera ao Estado Islâmico.

Não se tratou de um deslize ou escorregão verbal. Em ano eleitoral, Ana Amélia Lemos vem flertando abertamente com a extrema-direita gaúcha que saiu definitivamente do armário. Recentemente, rasgou elogios, durante uma convenção estadual do PP (partido que, nunca é demais lembrar, é herdeiro da nada gloriosa Arena, principal sustentáculo da ditadura civil-militar criminosa instalada no país apos o golpe de 1964), Ana Amélia Lemos fez uma homenagem às cidades que “botaram a correr a caravana de Lula”. “Atirar ovo, levantar o relho, para mostrar onde estão os gaúchos”, bradou a patriótica senadora no encontro que definiu a pré-candidatura do deputado federal Luiz Carlos Heinze ao governo do Estado nas eleições (se é que ocorrerão) de 2018.

Heinze tem o mesmo DNA de Ana Amélia Lemos. Em uma audiência pública realizada em novembro de 2013 no município de Vicente da Fontoura, região norte do Estado, o atual pré-candidato do PP alinhou seus adversários na categoria do “tudo que não presta”: quilombolas, índios, gays, lésbicas…”. Na mesma ocasião, ele sugeriu a ação armada dos agricultores para enfrentar a turma do “tudo que não presta”. “O que estão fazendo os produtores do Pará? No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no Pará, porque a Brigada Militar não lhes dá guarida lá e eles têm de fazer a defesa das suas propriedades”, disse o parlamentar. Pará, Estado de Eldorado de Carajás, onde 19 sem terra foram assassinados pela Polícia Militar no dia 17 de abril de 1996.

Luiz Carlos Heinze e Ana Amélia Lemos não são pontos fora da curva. Fazem parte de um mecanismo (para usar uma palavra da moda) que ganhou espaço no Rio Grande do Sul nas últimas décadas, graças, entre outras coisas, à máquina de propaganda construída pela RBS, uma das corporações midiáticas filiadas à rede Globo, que se agigantaram durante a ditadura. Ana Amélia Lemos, aliás, foi Cargo em Comissão (CC) do próprio marido, já falecido, o senador biônico Octávio Omar Cardoso, em 1986, acumulando essa função com o cargo de chefe da Sucursal da RBS, em Brasília. Na época, Ana Amélia era diretora da sucursal da RBS, em Brasília, assinando uma coluna no jornal Zero Hora. A jornalista mudou-se para Brasília em 1979, acompanhando seu então marido Octávio Omar Cardoso, suplente do senador biônico Tarso Dutra (falecido em 1983), e efetivado no cargo em 1983, exercendo-o até 1987. Na capital federal atuou como repórter e colunista do jornal Zero Hora, da RBS TV, do Canal Rural e da rádio Gaúcha. Em 1982, foi promovida à diretora da Sucursal em Brasília.

Em agosto de 2003, em um artigo profético, o então deputado estadual Flavio Koutzii afirmou: “a extrema-direita brasileira mora nos Pampas”. Em sua introdução, o artigo lembrou uma antiga (e atual) lição de Albert Camus: “denominar incorretamente alguma coisa aumenta o grau de infelicidade no mundo”. Em tempos, onde o absurdo se combina com o surrealismo e a mentira, é saudável o esforço por denominar corretamente as coisas. O hino rio-grandense, entoado nos estádios de futebol do Estado com um ufanismo irrefletido e catatônico, diz “sirvam as nossas façanhas de modelo à toda terra”. Quais são as nossas façanhas mesmo? Fazer apologia do racismo, do escravagismo, do machismo, da homofobia, da xenofobia?

Neste mesmo momento, o Rio Grande do Sul é governado por um governador e um partido obscurantistas que propõem como caminho para o desenvolvimento do Estado a extinção de todas as fundações responsáveis pela produção de inteligência. Então, não parece exagero dizer, a partir desta combinação de obscurantismo, preconceito, intolerância e ignorância, que o RS se tornou a vanguarda do atraso no Brasil.

Os “gordos de caminhonete” – na feliz expressão cunhada por Vanessa Patriota – que abundam no Rio Grande do Sul e em outros estados onde o agronegócio deitou suas raízes, gostam de apontar os estados do Nordeste e do Norte como expressão do atraso no país. Na verdade, é a expressão de um mundo invertido. O lugar mais atrasado e retrógado do Brasil situa-se hoje no extremo sul do País. Não expressa, necessariamente, a consciência da maioria da população, mas é o reflexo de uma cultura de autoritarismo, oportunismo e ignorância quem vem sendo alimentada com regularidade nas últimas décadas. Essa cultura não é motivo de orgulho nem de comemorações. As verdadeiras façanhas desta terra ainda estão soterradas por um entulho de ignorância, truculência, machismo e racismo.




Diário do Centro do Mundo   -   DCM


As questões a ser esclarecidas sobre o evento com Moro e Barroso “em Harvard”. Por Donato


- 18 de abril de 2018

“Em Harvard”


“Em Harvard, Moro diz que lei e democracia estão sendo fortalecidas”, estava no G1 da Globo; “Em Harvard, Moro cita O Poderoso Chefão”, na manchete do Uol, e foi esse o diapasão na grande mídia a respeito do evento desta última segunda-feira.

Bem, esse ‘em Harvard’ confere um peso, uma importância, uma aura de sublimação que a coisa não teve.

O simpósio ‘Harvard Law Brazilian Association Legal’ foi organizado e realizado por um centro acadêmico formado por alunos e ex-alunos brasileiros da Escola de Direito de Harvard. Ou seja, não foi exatamente a Harvard Law School.

Guardadas as proporções, é como se umas tantas palestras tivessem ocorrido no Centro Acadêmico XI de Agosto e a grande mídia noticiasse como sendo um congresso da USP. Calma lá.

Entre os palestrantes, o onipresente Sergio Moro, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso e também o Marcelo Bretas que palestrou no painel “Luta contra a corrupção”.

Bretas, para quem não se lembra, é o juiz que acumula o auxílio-moradia com o de sua mulher (o que é ilegal) e que tem patrimônio de mais de R$ 6 milhões em imóveis.

Aqueles que estiveram acompanhando mais de perto também tomaram conhecimento de que o tal simpósio era um ‘evento anual’ da Escola de Direito da Universidade de Harvard, transparecendo algo tradicional. Também não é isso.

Foi suprimida da maioria das reportagens que esta era a primeira edição do evento. E que, coincidentemente (ou não), Luna Barroso, filha de Luís Roberto Barroso, está estudando em Harvard há pouco tempo.

Ela faz pós-graduação em Direito na universidade americana desde agosto do ano passado. E seu pai foi palestrante.

Um curso desses em Harvard tem um custo anual de aproximadamente US$ 45.000, mais US$ 3.959 em taxas e cerca de US$ 800 a US$ 1.200 em livros. Sem moradia nem alimentação. Entre os patrocinadores do simpósio, a FIESP e a Firjan.

A quem interessa tudo isso? Por que magistrados ausentaram-se do país para palestrar para brasileiros fora do Brasil? O que há de objetivo nisso?

Aparecer na mídia internacional e prestar contas ao mundo, mostrar que aquela ‘Liga da Justiça’ está pronta para aniquilar o Coringa, o Pinguim e o Charada?

Há alguns dias as emissoras repetiram à exaustão uma entrevista de Moro para um sitezinho chinês como se fosse a coisa mais importante do mundo naquele momento.

Mais pareceu que o intuito era mostrar que o juiz fala inglês. Complexo de vira-lata é pouco.

Em inglês também ele falou (há controvérsias quanto ao idioma, mas vamos em frente) o seguinte, no simpósio para brasileiros:

“Na primeira cena de ‘O Poderoso Chefão’, Don Corleone recebe um homem, Bonasera, que pede ajuda do poderoso chefão porque sua filha apanhou do namorado e de um amigo. Bonasera foi lá pedir ajuda do poderoso chefão para que ele mandasse homens para bater nos dois. Depois de algum drama, o poderoso chefão concorda em ajudar, sem matar os homens como Bonasera queria, mas mandando pessoas baterem neles. Bonasera pergunta no fim da cena o que Don Corleone quer em troca, e o Poderoso Chefão dá uma resposta bem interessante. Ele disse: ‘Não quero nada agora, mas um dia, talvez um dia, eu vá te pedir algo e então precisarei que você retorne o favor’”.

Como a citação restou enigmática, Moro explicou o que estava querendo dizer com aquilo: “(Serve para mostrar que) nos esquemas de corrupção sistêmica, não necessariamente você vai encontrar uma troca específica, o ‘isso por aquilo’”.

Na mesma hora em que o juiz falava em outro continente, o MTST ocupava o tríplex do Guarujá com a finalidade de que a ‘troca específica’ precisa ser provada no mundo jurídico, fora dos cinemas e da máfia.

Qual o intuito desse tipo de ‘simpósio’? O que foi dito ali de esclarecedor?

Nada.

Em agosto de 2016, mais uma vez nos EUA, em Washington (quem paga todas essas viagens?), Sergio Moro respondeu em uma palestra o porquê de não agir com o PSDB com a mesma volúpia que apresenta para com petistas.

Na ocasião, o juiz disse que não julgava casos relacionados ao PSDB porque investigações sobre o partido não chegavam a ele. Bom, aí ele disse uma verdade. Mas precisa ir até os Estados Unidos para isso?



Diário do Centro do Mundo   -   DCM

Lula e seu martírio: “por vocês vale a pena viver e morrer”


POR FERNANDO BRITO · 18/04/2018


A mensagem de Lula aos militantes que, há dez dias, fazem vigília próximo à sede da Polícia Federal, é o sinal do que vem por aí.

Amor – e infelizmente o ódio, também – são sentimentos que não se diluem rapidamente.

“Queridos e queridas, companheiras e companheiros, vocês são o meu grito de liberdade todo dia. Se eu não tivesse feito nada na vida e construído com vocês essa amizade, já me faria um homem realizado. Por vocês valeu a pena nascer e por vocês valerá a pena morrer.”

Lula não tem nem pode ter, a esta altura, qualquer pretensão que não seja o martírio.

Seja o do martirio que lhe está sendo imposto em Curitiba.

Seja o do martírio de sair daquela cela e governar o Brasil.

Em qual dos dois será mais sacrificado, difícil dizer.


Tijolaço