terça-feira, 29 de julho de 2014

Como já escreveu Zé Dirceu: “Vargas Llosa escritor é 10. Mas, como político…”


28 jul 2014/4 Comentários/ Blog do Zé equipedoblog /Por Equipe do Blog

De uma virulência ímpar, o artigo “A máscara do gigante” do grande escritor Mário Vargas Llosa, publicado neste domingo (ontem) no Estadão. A pretexto de comentar a derrota do Brasil na Copa, conforme a justificativa que ele dá no texto, Llosa não precisava fazer artigo tão altamente demolidor, contra o Brasil, o ex-presidente Lula e seus governos e à forma como o país é governado.

Também, se pretendia elogiar os governos tucanos de FHC, como o faz no artigo, não precisava ir tão longe. Sobriedade numa análise política dessas, sem paixão, as vezes faz bem. Também sobre Vargas Llosa, escritor que há muitos anos mora mais na Europa (especialmente na Espanha, onde se naturalizou) do que em sua terra natal o Peru, depois que perdeu uma eleição presidencial como o candidato da direita anos atrás, ficamos em dúvida sobre responder ou não.

Realmente, até pensamos em responder ao seu artigo no Estadão de domingo, pura catilinária contra a era Lula. Mas, como se trata de uma dos melhores escritores da língua espanhola e latino-americano, ficamos intimidados em analisar uma peça de ficção quase tão perfeita e tão bem escrita quanto suas melhores obras, dentre as quais Pantaleão e as Visitadoras, Conversa no Catedral, a Guerra do Fim do Mundo…

Deixamos para os críticos literários e mesmo para os pares dele, escritores essa árdua tarefa. Sem deixar de reconhecer que como peça de ficção e/ou um conto, o texto está esta perfeito e poderia ficar até real se Vargas Lhosa colocasse o conto no tempo de FHC, em seus governo e não nos do ex-presidente Lula.

A ficção de Llosa que o Estadão publicou ontem

O escritor peruano/espanhol, afirma neste seu artigo que os críticos cobriram o técnico da seleção, Luís Felipe Scolari, o Felipão, de “impropérios”, mas ele acha que “a culpa de Scolari não é somente sua, mas, talvez, uma manifestação no âmbito esportivo de um fenômeno que, já há algum tempo, representa todo o Brasil: viver numa ficção brutalmente desmentida por uma realidade”.

“Tudo nasce – situa o fiscionista Vargas Llhosa – com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), que, segundo o mito universalmente aceito, deu um impulso decisivo para o desenvolvimento econômico do Brasil, despertando assim o gigante adormecido e encaminhando-o na direção das grandes potências. As formidáveis estatísticas que o IBGE difundia eram aceitas por toda parte: de 49 milhões, os pobres foram reduzidos a apenas 16 milhões e a classe média aumentou de 66 milhões para 113 milhões.”

Depois de dizer que com esse discurso foi fácil a presidenta Dilma Rousseff vencer em 2010, ele registra que agora, que ela quer se reeleger, “(…) muitos pedem o retorno do lulismo, o governo que semeou, com suas políticas mercantilistas e corruptas, as sementes da catástrofe. A verdade é que não houve nenhum milagre naqueles anos, e sim uma miragem que só agora começa a se desfazer, como ocorreu com o futebol brasileiro.”

Todo o discurso conservador do artigo foi para, ao final, elogiar FHC

“O governo brasileiro disse que não haveria dinheiro público nos US$ 13 bilhões que se investiu na Copa. Era mentira. O BNDES financiou quase todas as empresas que ganharam as obras de infraestrutura e todas elas subsidiaram o Partido dos Trabalhadores, atualmente no poder.” diz Llosa. “Não é de se estranhar que o protesto popular diante de semelhante desperdício, motivado por razões publicitárias e eleitorais, levou muitos milhões de brasileiros às ruas e abalou todo o Brasil” lembra.

“(…)Apesar do panorama tão preocupante, o Estado continua crescendo de maneira imoderada – ele já gasta 40% do PIB – e multiplica os impostos. Apesar disso, segundo as pesquisas, Dilma Rousseff vencerá as eleições de outubro e continuará governando inspirada nas realizações e enganos de Lula. (…) Em todos esses anos, primeiro com Lula, depois com Dilma, o Brasil viveu uma mentira que seus filhos e netos pagarão quando tiverem de começar a reedificar desde as raízes uma sociedade que aquelas políticas afundaram ainda mais no subdesenvolvimento.”

Vargas Llosa conclui o artigo com elogio a FHC: – “É verdade que o Brasil havia sido um gigante que começava a despertar nos anos em que foi governado por Fernando Henrique Cardoso, que organizou suas finanças, deu firmeza à moeda e assentou as bases de uma verdadeira democracia e genuína economia de mercado. No entanto, seus sucessores, em vez de perseverar e aprofundar as reformas, as foram desnaturando e devolvendo o País às velhas práticas.”



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