quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

O que está acontecendo no Mar da China?, por Gustavo Gollo

ENVIADO POR GUSTAVO GOLLO QUI, 09/02/2017 - 15:16
ATUALIZADO EM 09/02/2017 - 16:12


O que está acontecendo no Mar da China?

por Gustavo Gollo

Os Estados Unidos possuem uma gigantesca rede de bases militares espalhadas pelo mundo inteiro, especialmente em torno da Rússia e da China. Em vista disso, a China decidiu erigir um anel de defesa em torno de seu território, tendo construído, nos últimos anos, um conjunto de bases navais no Mar da China. Essas bases chinesas foram feitas em ilhotas recém ocupadas, em área marítima reivindicada também por outros países.

Tendo a China ocupado as ilhotas, os americanos trataram de insuflar os vizinhos contra as ocupações, conseguindo inicialmente um posicionamento enfático das Filipinas e a condenação chinesa, pelas ocupações, por parte de um tribunal europeu, em um julgamento desconsiderado pela China. Logo em seguida, a diplomacia chinesa resolveu magistralmente o conflito, de maneira absolutamente pacífica, levando os filipinos a abdicar de suas pretensões e demonstrando a inconveniência do intrometimento do tal tribunal (que tinha baseado sua decisão em um acordo internacional repudiado pelos EUA, aliás).

Dado o desinteresse dos filipinos pela região, os americanos resolveram insuflar os vietnamitas, povo aguerrido, contra a ocupação chinesa das tais ilhotas. Após uns poucos pronunciamentos irados, de militares vietnamitas, a diplomacia chinesa conseguiu apaziguar o país que não tem manifestado preocupação com as ocupações.

O desinteresse dos vietnamitas, então, levou os americanos a apelar para os japoneses, que também possuem ambições em parte da área. Na semana passada, o secretário de defesa americano recém empossado esteve no Japão para insuflá-los contra os chineses. Tendo reconhecido o hálito do monstro que um dia soprou sobre Hiroshima e Nagasaki, os japoneses perceberam o tamanho da enrascada em que estavam sendo metidos, desarmados, no meio do fogo cruzado entre as duas grandes potências, e trataram de colocar panos quentes na contenda, amenizando o tom ameaçador que os americanos estavam impondo às ameaças contra a China, recusando participar de exercícios militares conjuntos na região.


Nesse momento, a China permanece ocupando as ilhotas no Mar da China que ela alega pertencerem a seu território, tendo apaziguado praticamente todas as pretensões de seus vizinhos, restando apenas os EUA, que nenhuma relação têm com o caso, a espernear sobre o que alegam consistir em um expansionismo chinês, razão pela qual ameaçam bloquear o acesso dos chineses às suas ilhas, enquanto continuam a buscar um parceiro local para justificar a própria presença, despropositada, na região.

A situação é extremamente delicada, especialmente levando em conta que os EUA não necessitam de nenhum pretexto real para iniciar uma guerra, podendo inventá-lo de maneira descarada, como já fizeram com o Iraque e o Vietnã.

Nesse instante, o mundo inteiro deve estar preparado para repudiar, de imediato, as ameaças dos EUA, antes que um ataque nuclear inopinado, do dia para a noite, resulte na morte de bilhões de pessoas e na irrupção de uma guerra apocalíptica mais destruidora do que tudo o que já foi visto.

Parem a guerra!


Jornal GGN

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